sexta-feira, julho 30, 2004

Telefonema de Jaú

- Darlan, telefone para você. Disse que foi professor seu.
- Darlan!
- Olá Darlan! É o Nicola, lembra de mim?
- A quanto tempo eih! Como vc me achou aqui?
- Vc esqueceu que eu também sou jornalista? Eu também tenho minhas fontes.
- Diga lá. A que devo a honra?
- Estou lançando um livro pela Editora Senac, Cibersociedade, minha tese de doutorado sobre cibercomunidades e resolvi dar uma força para a assessoria de imprensa e lembrei de você. Vi que vc agora é até jurado de prêmio?
- É só um prêmio da Caixa com a revista Imprensa. Acho que me chamaram mais porque fui num Seminário promovido pela revista em Salvador e porque há poucos repórteres ligados diretamente a jornalismo on-line. Sou um dos poucos que estão nessa desde o boom da internet e que não caíram fora.
- Eu também sou um sobrevivente, continuo apostando na internet. Estou indo agora para o Canadá fazer o meu pós-doutorado lá.
- Vc saiu da Unesp?
- Não, ganhei licença prêmio. Mas ainda vou ficar aqui em Jaú até setembro.
- Mas me diga lá, vc vai me enviar o livro?
- Vou pedir para a assessora te enviar. No meu site também vai estar disponível o livro. Vc vai fazer uma matéria?
- Vou tentar. Se eu não puder, vou repassar para a chefia.
- Mas do que fala o livro. Você fala de comunidades, orkut, essas coisas?
- Isso. Estudo isso desde o mestrado. Já dei entrevista até na Cultura num programa que tinha uma reportagem sobre orkut.
- Legal. Vc me passa o material que tiver por e-mail?
- Vc pode pegar no meu site também se quiser.
- Qual que é?
- http. midia press.....................
- Quer saber. Não tá lá no seu perfil do orkut. Eu pego lá!
- Eu não estou no orkut.
- Como assim? Vc não está no orkut?
- É que eu passei os últimos meses meio afastado e tudo de tudo no Canadá.
- Mas vc não recebeu nenhum convite para entrar no orkut?
- Ainda não.
- Vc precisar ampliar sua rede de contatos, eih!
- Vc me manda um convite?
- Tudo bem, eu te mando. Diz aí qual é o seu e-mail...

E eis que graças a mim, senhor Nicola também vai entrar no orkut.


NA TERRA DA GOMINHA
 
Pois é meues caros,

Cá estou, mais uma vez, no Principado dos Neves, digo, Minas Gerais, uai.... rs
Na terra em que chamam elástico de gominha e copo americano de lagoinha, porque era o copo mais usado na zona de baixo meretrício na década de 30, que ficava no bairro Lagoinha... isto é Brasil !!!
Saudades de todos e lamento a ausência nos trintanos de André Amaral (diz aí, Dé, as pessoas não tão olhando mais para você ? Nunca me senti tão gordo e ao mesmo tempo tão cobiçado... acho que estamos tipo "gostoso".... rs...)

 
HIGH FIDELITY
 
Dé,

Desejo que você rompa o Ciclo High Fidelity e aproveite muito a vida !!!! As angústias não levam a nada.. somente ao psicanalista... (fidelity tem um d a mais ? num lembro...)
Seja fiel a ti mesmo... tinha que citar ... e nada de ruim te acontecerá. E se tudo der errado, do alto de sua nova autoridade balzaquiana, diga a quem for preciso, em alto e bom som: "FODA-SE !!!!".
Nada de Morrissey ou qualquer coisa deprê !!!!! Melhor ouvir Queen....
Não viemos aqui para sofrer, apenas para aprender....
Beijundas pelos 30 !!! Te encontro em em menos de 2 meses

 
Abçs  MR  :-)

PS - Tá na hora de escancarar as relações mesmo ....

PS 2 - Lyara, muitas SAUDADES !!!!

quinta-feira, julho 29, 2004

30 anos

André Amaral, o senhor não vai comunicar sua comemoração de passagem para idade trintona pro povo, não?

terça-feira, julho 27, 2004

Empresa, bah

Eu nunca gostei da editorazinha que fica na Marginal Pinheiros. Dizem que é a maior da América Latina, mas as cabeças pensantes e mandantes não são sequer do tamanho de Lichenstein. Foram meses de conformismo total motivado pelo dinheiro, nunca tive qualquer prazer em estar ali.

Mas como é o dinheiro que move o mundo, mediante o bom trabalho que eu fiz com um projeto bucha que ninguém queria, acreditava (e os colegas de lá, idem) que seria convidada a ficar tocando outro projeto. Mas eu cometi um pecado grave. Muito grave. Eu comecei a fazer pós-graduação. E isso me impedia de ir um dia por semana para Abril (dia que era devidamente descontado do meu pagamento).

Ontem fui comunicada pela editora-chefe que fiz um excelente trabalho, mas que ela não pode ficar comigo porque eu "tenho aquela terça-feira maldita" (palavras dela). Ela sempre precisa de mim às terças (até onde eu sei, quando precisou era para tirar um mísero print) e não pode ficar sem a minha doce presença por um dia. Fico até 25 de agosto.

Portanto, como resolvi me qualificar e ser uma profissional melhor, estou no rua. Já tive que dispensar uma contratação na Exame porque queriam que eu abrisse mão da pós. Engraçado depoi´s, é ler matérias da própria Exame, Você SA, Nova Escola ad infinitum dizendo que o bom profissional precisa sempre se reciclar.

80% do meu ser está aliviado de ser ver livre daquele lugar horrendo. O resto tá bem puto por ter sido "dispensada" de uma Fundação que trabalha com ... educação.

Não se pode estudar onde se faz mídia sobre educação. Irônico, não? Como a mídia é cretina e mentirosa, eu sinto nojo.

Comunico que não estou nada abalada, vou ter coisa muito melhor logo, logo. E frila na editorazinha só pra fazer em casa. Meu tempo é muito precioso para ser gasto em lugares como aquele. Vou voltar à vida de frila, porque a nunca empresa que me importa é a minha pessoa. Vender a alma para empresas de comunicação, definitivamente é um péssimo negócio.

segunda-feira, julho 26, 2004

OUTRO PERIGO DO ORKUT

Tá no O Globo de hoje. O Tiago Verdal, espião português que foi preso pela PF, está no Orkut. E, pior, ele tem 80% de confiável naquelas carinhas sorridentes do perfil. Tem 145 amigos e é chamado por um deles de “araponga escamoso”. Está em uma comunidade de fãs do Jack Bauer, do 24 Horas.
O pior é o testimonial que um dos amigos deixou: “O portuga tem escrito no meio da testa: sou uma figura. É desses caras que primeiro faz e depois pensa. Se ele quer uma mulher e ela gosta de um tipo de rosa que só tem no Iraque, ele é capaz de ir. Ainda não sei se ele é um suicida ou um romântico dos bons”

sexta-feira, julho 23, 2004

sobre o perigo indescritível que representa o orkut
 
Atenção: nova modalidade de seqüestro!!! Cuidado se você inclui seus dados pessoais no Orkut! Uma gangue de seqüestradores tem agido de forma engenhosíssima! Você pára no semáforo de qualquer dessas esquinas em que há malabaristas e, enquanto um deles o distrai com sua performance, outro checa se você é uma das 600mil pessoas de quem ele pegou foto na rede e que têm um 'friendly humor'. Se você for uma delas, eles jogam um coquetel molotov com um paralelepípedo amarrado no seu pára-brisa, uma renca de macacos albinos amestrados invade seu carro e o guia até um motel, onde seus rins serão removidos e vendidos, com você acordado e acompanhando tudo. A seguir, ainda atordodado e sendo levado em um barril cheio de gelo, eles peregrinam com você de banco em banco para sacar sua grana. Depois você é levado para um cinema em que será obrigado a sentar em uma poltrona na qual sentirá uma picada de agulha (obviamente infectada com algum vírus ou bactéria letal). Para completar, você é levado ao BH ou ao Charm (ou mesmo a um boteco menos podreira-cool) para beber uma breja direto da lata, que estará contaminada com leptospirose ou algum novo tipo de doença séria, dessas que matam metade das pessoas que bebem de latas não lavadas. Para se prevenir contra esse tipo de ataque, só tendo, como eu, humor 'dry/sarcastic' e colocando fotos de seus inimigos em seu álbum. Este e-mail é seríssimo, temos que alertar o maior número possível de amigos! Soube que um primo da cunhada do amigo da namorada da irmã de um pretê meu já passou por isso e está entubado na UTI faz quatro dias! Foi um colega do curso de esperanto desse meu pretê que me contou tudo, porque, na verdade, ele mesmo não quer mais falar comigo (deve estar abalado com a notícia). Ah sim: e cuidado com esse tal jogo do beijo, que faz com que você, curiosíssimo para saber quem diabos é louco a ponto de o beijar assim sem o conhecer, acesse qualquer mensagem que lhe seja enviada, inclusive as infectadas com esses novos vírus ou os spam idiotas de alerta.
A citação

Para André Amaral, que adora citações, de Gilberto Freyre sobre ele mesmo:

"No fundo de minha humilde personalidade há um vergonhoso dualismo; partindo debaixo por instinto e olhando para cima, por aficção, fiquei no meio; na situação mais penosa de todas quantas pode haver na vida, poi que me reinventam igualmente os que deixo atrás e os que tenho adiante. E não encontro, embora o deseje, a quem olhar com bons olhos. Pois os que estão no meio, me parecem piores que os precedentes."

quinta-feira, julho 22, 2004

 
Brrrrrrrrrrrrrr................

Pelo jeito o inverno está deixando todo mundo preguiçoso.... ou estão todos muito ocupados??? Eu estou numa maré caaalllllllmaaaaa... acabei de assistir Saia Justa, infinitamente  melhor do que o Leão. Estou ficando fã da Maria Adelaide.

Em tempo...  como ando com tempo de sobra me rendi e já estou no orkut, como alguns já puderam perceber, Mas acho chato... continuo preferindo o blog.

Beijinhos preguicosos a todos

terça-feira, julho 20, 2004

Tarde chuvosa no Rio de Janeiro
 
Sem nada para fazer no trabalho ficamos zapeando pela maravilhosa programação da tarde. Acabei de ver uma rápida e interessantíssima entrevisa no programa do Leão. Informação super útil  sobre a concorrência entre os jornalistas esportivos. Mariana Ku(?)pfer informou que continua trabalhando com esporte, inclusive outro dia ela esteve no vestiário do Santos (!!!???) Fica amigo dela André....ela deve participar de cada coisa!!!
I don´t believe it
 
Se eu abrir novamente a home do UOL e olhar o povo no Japão se refrescando de um calor de 40 graus, eu surto. Até lá tá quente, menos nesse fim de mundo que é SP. Eu preciso mesmo mudar dessa cidade. Ou melhor, da região Sudeste. A cada ano minha intolerância ao frio, que me acompanha desde sempre, vem piorando. Quando o povo fala que vai morar em Londres eu só consigo pensar que eles são loucos de ir passar frio naquela terra. Credo, credo, credo. Passei 30 dias de frio em Portugal (lugar dos mais brandos naquele continentezinho) e quase tive um treco, que dirá da terra do fog.
 
Sei, sei, o inverno é necessário, etc e tal, sempre fez frio em SP, isso é normal, bla, bla, bla. Concordo que já passei mais frio aqui quando era criança, mas estamos num país tropical, as casas não são construídas para o frio (eu gelo mais em casa do que na rua, na grande maioria das vezes), nossas roupas são mal-feitas para aguentar baixas temperaturas (quando são boas, custam 3 salários mínimos). Simplesmente, não dá. Por isso que meu site preferido e mais consultado quando a temperatura caí é o do velho IPMET de Bauru. Está até no "meus favoritos".
 
Projeto Nordeste precisa ficar mais forte. Até uns 35 anos acho que eu sobrevivo por aqui, depois não sei não... Ranzinza de velha e ranzinza de frio ao mesmo tempo vai ser foda.
 
 

segunda-feira, julho 19, 2004

Porque de vez em quando, é preciso se lembrar para se sentir....
 
17 Again Lyrics
by Eurythmics
 
Yea though we ventured through the valley of the stars
You in all your jewellery and my bleeding heart
Who couldn't be together and who could not be apart
We should've jumped out of that airplane after all
Flying skyways overhead it wasn't hard to fall
And I had so many crashes that
I couldn't feel at allAnd it feels like
I'm seventeen againFeels like I'm seventeen again
Time might break you, god forsake you, leave you burnt and bruised
Innocence will teach you what it feels like to be used
Thought that you'd done everything, youdidn't have a clue
And it feels like I'm seventeen againFeels like I'm seventeen again
Looking from the outside in some things never change
Hey hey I'm a million miles awayFunny how it seems like yesterday
All those fake celebrities and all those vicious queens
All the stupid papers and the stupid magazines
Sweet dreams are made of anything that gets you in the scene
And it feels like I'm seventeen again
And it feels like
I'm seventeen againYes it feels like
I'm seventeen againSeventeen, seventeen again yeah yeah yeah
Sweet dreams are made of these
Who am I to disagree ?
I travelled the world and the seven seas
Everybody's looking for somehing yeah
Frase do Fim de Semana
 
 (Aproveitando o mote da Helen...)
 
 
Não sei o que é pior: a ressaca física ou moral....
 
 
(Acredito que os cientistas químicos europeus desocupados deveria inventar a bebida alcóolica que não desse ressaca (Ic, Ic,,,)
 
Frase do dia

Eu odeio MUITO o inverno.

sexta-feira, julho 16, 2004

O Casamento Dos Pequenos Burgueses 

 

E até o dia 01/8 em Sampa tem a Ópera do Malandro !!!!

O musical tá show... tô ouvindo o CD e quase concordando com tanto incenso ao redor do rebento de Sérgio Buarque...ele avisou tudo que ia ocorrer mais de 20 anos antes, de maneira absolutamente inusitada...

E para os casados, não sigam o exemplo dos burgueses abaixo....Creio na criatividade de vocês !  

Chico Buarque 

  
"Ele faz o noivo correto E ela faz que quase desmaia Vão viver sob o mesmo teto Até que a casa caia Até que a casa caia Ele é o empregado discreto Ela engoma o seu colarinho Vão viver sob o mesmo teto Até explodir o ninho Até explodir o ninho Ele faz o macho irrequito E ela faz crianças de monte Vão viver sob o mesmo teto Até secar a fonte Até secar a fonte Ele é o funcionário completo E ela aprende a fazer suspiros Vão viver sob o mesmo teto Até trocarem tiros Até trocarem tiros Ele tem um caso secreto Ela diz que não sai dos trilhos Vão viver sob o mesmo teto Até casarem os filhos Até casarem os filhos Ele fala de cianureto E ela sonha com formicida Vão viver sob o mesmo teto Até que alguém decida Até que alguém decida Ele tem um velho projeto Ela tem um monte de estrias Vão viver sob o mesmo teto Até o fim dos dias Até o fim dos dias Ele às vezes cede um afeto Ela só se despe no escuro Vão viver sob o mesmo teto Até um breve futuro Até um breve futuro Ela esquenta a papa do neto E ele quase que fez fortuna Vão viver sob o mesmo teto Até que a morte os una Até que a morte os una"
QUERO (EMOS) SER OS PRÓXIMOS...
 
Recebi na última semana o livro Wunderblogs.com, sobre 11 blogs e uma compilação de seus textos, em mais de 300 páginas.
Li. Alguns são para lá de ótimos.. outros abaixo do nível do medíocre. Creio que o próximo livro sobre Blogs inteligentes deva incluir o nosso Clube do Picadinho...
Embora os textos organizados por Ivan Lessa neste livro são somente sobre o hospedeiro wunderblogs.com , temos textos brilhantes que por isto merecem ser eternizados no velho, porém insuperável livro.
 
Não ! O LIVRO não vai morrer !!!! Sim , Ly, continue guardando nossos melhores textos... se não virar publicação, vira documentário audiovisual !!!!!
 
(Arlindo Machado acredita numa dimensão ampliada do significado livro. Para ele, o livro é antes de mais nada qulaquer suporte utilizado para registrar informações... pode ser assim um filme, um blog, uma tela, uma escultura.... usei essa "desculpa" intelectual em meu Mestrado para justificar a interpretação cinematográfica por meio da teoria literária do Dialogismo... sim, eu também sou da Semiótica Dispersiva !!!)
 
 
A gente acha cada coisa na Internet
 
Internet é mesmo uma coisa maluca. Vez ou outra, vivo fazendo buscas no google com o meu nome para recuperar alguma matéria (é mais fácil usar o google que o sistema do iG). Mas hoje me surpreendi. Já me acostumei em ver textos meus colados em outros sites, mas jamais imaginava que tinha na internet textos do meu jornalismo marrom denuncista, dos tempos de Dadica.
 
Mas está lá, numa página desatualizado do Capsi a cópia de um texto que fiz para um jornal mural que espalhei pela faculdade - numa versão um pouco mais trabalhada do que da dos cartazes que eu e o Márcio fazíamos no Mês do Cachorro Louco.
 
Se fosse investigada, a denúncia era para virar caso de impeachment, mas eu também estava no final do curso e de saco cheio daquele povo todo.
 
Mas o mais assustador foi me dar conta que dois participantes do Skol Rock foram amaldiçoados após passar por Bauru. Naquela mesma noite de shows tocaram o Paralamas, de Herbert Vianna, e o Rappa, do então baterista Iuka. E saber que as póstratas envelhecidas e as menopausas esclerosadas continuam vagando sem cadeiras de rodas por Bauru. Saravá!! A gente tenta esquecer o passado, mas o google não deixa.
 
Cerveja enche a barriga? 
 
Quanto custa um espaço para um show de rock? Depende, do local e das circunstâncias. Se for, por exemplo, no Kart Indoor ou no Cowntry Club, não sai por menos de cinco mil reais. Tá  certo que são locais cobertos que protegem da chuva. Mas o que pode ser uma simples chuva perto de um local, digamos assim, de fácil acesso (quando a intenção não é achar  a entrada do campus) e cedido a preço de cerveja.    
 
Os produtores alegam que só fizeram o show na Unesp a pedido da direção e, por isso, o show não teve tanta bilheteria. Mas diga lá, nestas três edições do evento em Bauru, houve alguma vez um público muito maior? Seria muito, ainda, dizer  que o festival só ocorre na cidade sanduíche pela proximidade da fábrica de Agudos? Agudez é o que não falta nas jogadas dessas empresas que nunca brincam em serviço. Além do mais, esse tipo de evento pode até dar prejuízo, pois o que importa é a divulgação e a publicidade da cervejaria. Só mesmo a chuva é capaz de atrapalhar um pouco a orgia. E como sempre, o maior prejudicado é sempre o público, o pagante que não tem camarote.   
 
Voltando a falar sobre os outros atos humanos, mas nem por isso menos libidinosos, o que a Unesp ganhou ao ceder quase que gratuitamente o espaço em frente ao Guilhermão para um show de rock? Seria uma superstição para favorecer o Mercado de Peixe (alguém já foi a alguma festa da Unesp em que eles não tocaram?)?    
 
A pergunta, talvez, deva ser outra para se evitar uma acusação sobre teoria conspiratória desse texto: o que deixamos de ganhar ao ceder  gentilmente o espaço público para a venda de ingressos para um festival de rock de uma cervejaria? Números não são difíceis de serem quantificados, mas não é esse o X da questão. O fato é que o público pagou para entrar num espaço público. E o pior de tudo, a Unesp não teve direito sequer a uma  porcentagem da bilheteria, já que por lei é proibido alugar terrenos do Estado.    
 
O acordo entre universidade e cervejaria foi político e o que se discute é justamente o ganho político dessa negociata. O revelado oficialmente pela direção foi que a Unesp não ganhou nada (eles mesmos admitem!). Permitiu-se que o show fosse realizado no campus como uma atividade cultural para a comunidade, recebendo em troca a divulgação do nome da Unesp e a permissão para que a universidade incluisse o show junto ao calendário de comemorações dos 10 anos da Unesp/Bauru. Detalhe: a cervejaria conseguiu convencer a direção que divulgar o local do show é o mesmo que divulgar o nome da Unesp e o seu decênio. Que “(in)descência”!    
 
Mas não foi somente a grande divulgação do seu nome que a Unesp ganhou dos cervejeiros. Graças ao profissionalismo da empresa cada professor e funcionário ganharam um convite personalizado para o almoço de confraternização. Além de um adesivo para que todos estampem em seus carros o sucesso de 10 anos de um “ensino público, gratutito e de qualidade”. Definitivamente, essa empresa faz descer redondo.    
 
A Unesp ganhou ainda  30 caixas de cerveja para a  bebedeira dos decanos de Bauru.  Na terra de Pindorama, cerveja basta para encher a barriga. E você, tomô (sic)?      
 
http://members.fortunecity.com/capsi/jornala.htm#critica

quinta-feira, julho 15, 2004

DO DIA INTERNACIONAL DO ROCK
 

 
Terça passada atravessei a cidade pra fazer uma matéria na Capela do Socorro. E, no rádio, não paravam de falar da tal data.  O motorista deixou um tempo na Kiss FM e eu fiquei ouvindo os clássicos e lendo as três páginas do Estadão sobre o assunto. Numa das matérias, o Sérgio Augusto falava que o rock inventou a juventude, que fez os garotos primeiro passarem a ouvir
músicas diferentes dos pais e depois terem atitudes diferentes (ou serem consumidores diferentes).

Começou a tocar Houses of the Holy, do Led Zeppelin e eu comecei a cantarolar. O motorista, cinquentão, deu risada e  perguntou:

_Poxa, você pegou essa época?

Me senti com cara de velho com ele perguntando isso de um disco gravado em 1975. E depois falei que boa parte da minha geração ouvia discos de bandas da década de 70 quando tinha seus 15, 16 anos (acho que quase ninguém mais faz isso). Ele vira pra mim e fala:

_ Quando o Led fazia sucesso, eu estava morando em uma comunidade hippie.

E no meio das Interlagos e Robert Kennedys sem fim, ele foi contando a história dele. Que tinha nascido em São Paulo, visto show dos Mutantes no Ibirapuera, e que aos vinte e poucos se mudou para Piraí, perto do Rio, morar em uma comunidade hippie com 14 pessoas.
 
- Cada um fazia um artesanato. Eu fazia sandálias de couro e a gente vendia em Ipanema no final de semana.

Morou quatro anos na tal da comunidade. Conheceu uma mulher por lá, transaram, amor livre, ela ficou grávida, o menino foi crescendo e ela saiu da comunidade. Foi morar com o filho, daí um dia abandonou a casa e deixou um bilhetinho pra ele dizendo: "Agora é sua vez de cuidar do menino". A mulher nunca mais apareceu, ninguém sabe se está viva, onde mora... O filho
virou tatuador, trabalha no centro.

- Ele ganha em um dia o que eu ganho no mês. Fui lá esses dias e achei um absurdo. Tinha um cara, um negão, colocando um brinco em cada peito. Cada loucura essas pessoas fazem...

Mas você fez as suas também, eu perguntei. E ele contou dos chás de cogumelo, dos desafios de futebol com o sítio vizinho, que era o dos Novos Baianos (disse que a Baby entrava em campo pra bater em quem acertasse a canela do Pepeu). Dos becks básicos às viagens de ácido. Numa delas, em uma praia, ele olhava a areia e via um monte de números; olhava a praia e via um
monte de números....

Mas um dia ele deixou de ser totalmente louco. Prestou concurso público, virou investigador. Depois saiu e virou motorista. Primeiro do Olympia, onde voltou a ter contato com músicos. Diz que levou a Cássia Eller seis dias antes da morte e jura que ela não estava cheirando, mas que fumou quatro maços de Hollywood em um dia. E fez três dias de Caetano Veloso. Disse que o cara saiu do show um dia com a Leticia Spiller e no outro com a Luana Piovani.

- No primeiro dia, a mulher dele foi embora. Como é insuportável aquela mulher... nojenta demais.

Aí foi pro Estadão e fica lá levando repórter e ouvindo a Kiss FM. Continua ouvindo rock, se divertindo um bocado, e fazendo algumas loucuras, as que a idade ainda aguenta.
 
Tem 50 anos o motorista. A idade do rock. Que pelo jeito não inventou só a juventude...

quarta-feira, julho 14, 2004

Tá parecendo mesmo filme nacional...

Pô Andre, cadê o tal Picadinho 2004? O seu roteiro tá parecendo filme nacional que fica mais três anos para estrear...
FLIP ????!!!!

E todos estão me perguntando como foi a Flip e eu respondendo NÃO SEI !!!! rs
Fui à Paraty de FOLGA !!!! E não queria ficar trancafiado com pessoas fazendo cara de "conteúdo".
Passei 3 dias regado a caiprinha, Smirnoff Ice, Barco com chuva e beijos na boca....
Sabem o que eu sei sobre Literatura estrangeira contemporânea ? PORRA NENHUMA !!!! rs
E querem saber ? ADORO num saber NADA sobre o tema.....
Ando querendo curtir mais e pensar bem menos....
Saudades de Todos !!!!
MR

terça-feira, julho 13, 2004

NÃO ACHEI UM TÍTULO BOM

E tem aquele velho dilema do livro do Nick Hornby:
"Somos tristes porque ouvimos música pop que fala de perda, dor e sofrimento, ou ouvimos música pop que fala de perda, dor e sofrimento, porque somos tristes?"

Sei não. Mas lembro de um diálogo de fim de namoro, aquele último diálogo antes do tchau, em que ela me falou: "Quer saber? Acho que você tem que ficar aí mesmo ouvindo suas músicas tristes..."

Queria o que? Que eu ouvisse Ivete Sangalo?

Mas tô escrevendo isso tudo só pra falar do disco que eu mais tenho ouvido nos últimos meses. E que provavelmente é o que eu mais ouvi em 2004. "You Are the Quarry", do Morrissey tem algumas músicas boas, outras quase perfeitas, e quase todas bem melancólicas... perfeito pra ouvir nesse frio tomando conhaque napoleon e lendo alguma coisa no sofá... sozinho ou acompanhado.

As pessoas são atormentadas demais mesmo, Helena. Bingo. E Morrissey é trilha sonora pra corações e almas atormentadas. (n. da r.: Helena, lembra daquela carta de despedida minha do Lance!? Eu citava (sai desse corpo, Márcio) um trecho do Frankenstein que diz "Nada como um novo desafio para acalmar uma alma atormentada". Acho que isso é uma profecia).

Voltando ao Morrissey, alguns trechos do disco:

"She told me she loved me, Which means, She must be insane"...
"They said they respect me, Which means, Their judgement is crazy"
(em How Could Anybody Possibly Know How I Feel)

"Why did you give me so much desire, When there is nowhere I can go to offload this desire?...
And why did you stick in self deprecating bones and skin?, Jesus do you hate me?"
(em I have forgiven Jesus)

e "Come Back to Candem", a canção perfeita para abandonados-solitários-saudosos com copo de whisky nas mãos em um bar vazio...

"There is something I wanted to tell you, It's so funny you'll kill yourself laughing/But then I, I look around, And I remember that I am alone, Alone. For evermore"

Enfim... Vou ficar aqui ouvindo Morrissey até o in(f)verno acabar e não aceito trocar isso pra ouvir Charlie Brown Jr como quer o Arnaldo Jabor.

Alguém aceita uma dose de conhaque?

sexta-feira, julho 09, 2004

A Verdadeira Identidade de Peter Park

Fomos assistir ontem Homem Aranha II. Gostei mais do que do primeiro. Muito já se falou das qualidades do filme. Uns sobre a mensagem humanista, outros sobre efeitos especiais. Mas quero fazer uma revelação que tive na sala de cinema. Não sou a M.J. mas casei com o Peter Park!!! E tenho dito.

quarta-feira, julho 07, 2004

Vida louca vida, vida breve

Vi "Cazuza - O Tempo não pára" há 3 semanas. Não consegui escrever sobre o filme porque fiquei produndamente impactada, sem conseguir separar minha emoção dos meus critérios cinematográficos. SIm, porque eu os tenho, por mais que possa parecer que não.

Hoje, passado um tempo e depois de ter acabado de assistir a um documentário sobre o mesmo Cazuza no Multishow, cheguei a uma conclusão: pouco me importa se o filme é bom ou não (creio que seja bom, com momentos ótimos e algumas coisas imperdoáveis); o que me importa é que me fez lembrar o artista e suas letras tão impactantes.

Foi surreal ver os clipes toscos dele como "Ideologia", "Brasil" ou vê-lo a frente do Barão no Cassino do Chacrinha. Tudo isso faz mais ou menos 20 anos. Como foi importante, e como estava esquecido...

Não fui uma fã desnorteada de Cazuza, até porque seu auge foi na minha pré-adolescência e eu nem lembro do que gostava na época (não, não era do Menudo). Curtia o som dele e fiquei triste quando ele morreu. Mas hoje, 14 anos depois de sua morte, só tenho a agradecer ao filme por ter me feito lembrar que ele foi. Impressionante a qualidade das letras que ele deixou. E, principalmente, impressionante o testemunho de vida e a coragem.

Porque para nós pode parecer muito natural um famoso assumir que tem AIDS hoje, mas no Brasil da década de 80 isso foi um feito histórico, que abriu caminho para o país ser pioneiro nas políticas de combate ao vírus. Cazuza foi o mártir da década de 80. Eu, sinceramente, só tenho a agradecer, porque histórias como a dele me fazem ter certeza de que não estamos nesse mundo pra jogar a vida fora. E me fazem ter um pouco mais de bom-humor diário.

"Senhoras e senhores, trago boas novas
Eu vi a cara da morte e ela estava viva
Viva!"
A MELHOR CANTADA QUE EU JÁ DEI

Tá. Não é grande coisa, nada que mereça inclusão em alguma antologia tipo "As 100 Melhores cantadas do século". Mas é a minha melhor. E ponto.

A moça tava lá, andando de um lado para o outro na redação, trabalhando, telefonando, entrevistando, etc... Um dia antes, tinha dado uma matéria com a eleição da melhor poltrona de cinema da cidade, levando em conta: conforto, tecido, espaço para as pernas, canto pra refrigerante ou água, chance de transformação em loverseat e etc.... (acho que ganhou a do jardim sul).

Aí uma hora eu estou tomando água e ela aparece, meio tensa, cansada. Eu puxo papo.
- Oi. Não gostei da sua matéria. Discordei totalmente.

Ela olha com cara de quem não tinha entendido...
- Por que?
- O resultado está errado. A melhor poltrona não é a do Jardim Sul.
- Não? Qual é?
- A do seu lado.

Ela ficou olhando para a minha cara, com o copo de água na mão. (estava casada).
.....
.....
Deu um sorriso! E falou:
- Que bonitinho!

Virou as costas e foi embora.

segunda-feira, julho 05, 2004

Como a Helena já disse o fundamental sobre o Homen-Aranha

só me resta fazer uma pequena observação: quem passar ileso pela cena do metrô, sem nenhuma reflexão, sem nada... Tsc-tsc... por favor, nem me conte.

Neste ano, nada em termos culturais me abalou tanto, nada me fez refletir tão fundo sobre algumas coisas há muito esquecidas dentro de mim.

Uma cena, mais uma cena, até com um tom de humor, de ironia, e se revelou sublime, sensível e densa, portadora de questionamentos antigos, de uma época em que eu ainda tinha sonhos.

Obrigado, Homem-Aranha, graças a essa pequena jóia, eu chorei, como não chorava há meses, seco que estou.

Talvez não tenha sido o suficiente para inundar-me de uma nova vida, mas eu senti que ainda estou vivo. E posso ter esperanças por mim mesmo.
Charlie X Hermanos

Agora o André tem mais um motivo para odiar o Charlie Bronw! O Troglodita Sexy Pop Chorão, deu uns sopapos no Simpático Intelectual da MPB Marcelo Camelo. Que covardia, que brutalidade! Quanta irracinalidade....Um faz uma crítica conciente e outro responde com uma agressão física. Onde esse mundo vai parar...??? Não vamos evoluir nunca???

domingo, julho 04, 2004

E assim começou o cinema...

... com fantasia, pura fantasia. A imagem do trem dos irmãoes Lumiére era real, mas despertou a mais pura magia na platéia que saiu alvoraçada da sala, temendo ser atingida pela máquina. Elas não entenderam a mimesis da cena e se assustaram. Assim criou-se a fantasia cinematográfica. George Mélies entendeu plenamente essa quase fusão entre cinema e fantasia e a maximizou, encantando o mundo. Quem nunca viu uma lua cheia daquelas bem gordas e a imaginou com olhos grandes e bigodinho?

Eu, definitavemente sou desse time, o da fantasia. Tenho entre meus filmes preferidos profundas críticas sociais dos mais variados níveis como "Rastros de Ódio" e "Sindicato de Ladrões". Mas os filmes que calam fundo na minha alma, em geral, são os de fantasia.

Porque um filme não precisa se levar a sério, ser sério e pedante para falar do profundo e complexo paradoxo que é o ser humano. Ele só precisa falar de pessoas. Por que não ter um pouco de magia no meio? Se estar vivo e sobrevivendo no mundo real já é uma magia?

Hoje, quando saí da sala do Frei Caneca depois de ter assistido "Homem-Aranha 2", comentei com o Anderson : "Como esses super-heróis são atormentados..". Ao que ele responde: "porque as pessoas são atormentadas demais". Bingo.

É isso. Tormento, dúvida, escolha. É isso que vejo em X-Men, Homem-Aranha e, claro, Senhor dos Anéis. Não precisa ser um filme nórdico horroroso com uma câmera tremida pra me passar essa idéia. "Spider-Man 2" é um filme soberbo. Ótimo roteiro, personagens fantásticos e bem desenvolvidos, ação na dose exata ], sem exageros. E com grandes questionamentos humanos, que me fazem pensar muito, me farão reflatir por dias..

O dilema de Peter Parker não é muito diferente do dilema de pessoas como nós, as pessoas desse blog e a maioria de seus leitores. Bem instruídos, bem alimentados, formadores de opinião e com um futuro pela frente, nesse país tão caótico socialmente, mas tão maravilhoso que é o Brasil, temos que parar e refletir, todos os dias, que "grandes poderes trazem grandes responsabilidades".

sexta-feira, julho 02, 2004

HELEN E AND,


Poucos reiteram esses votos, poucos lembram o sentido das verdadeiras alianças, poucos abem o verdadeiro valor da cumplicidade !!!
Tenho certeza, pela história da dupla, que vocês vivem e conhecem tudo isso....
Lembrei deste velho poema.. creio que no final se relacionar é antes de tudo descobrir-se !!!!

Beijos ! Amo vocês !!!!!


Eros e Psique
...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.

(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Fernando Pessoa

Uma pergunta dez anos e alguns gatos depois...


Helena, você começaria tudo de novo?


(eu, acho que sim... mas nao precisa ser em bauru, é claro)

:-)

quinta-feira, julho 01, 2004

10 anos de Plano Real

E 10 anos que eu estou com meu digníssimo esposo. Quem diria que minha vida estaria atrelada aos mandos e desmandos do governo FH. Hoje, numa hora qualquer, fui transportada ao túnel do tempo e relembrei de nós em Bauru, no VilãoII e a Joelma falando pro Anderson "tomar uma atitude". Ele me arrumou uma puta presepada, me enganou redondamente e no dia seguinte, me levou para a esquina da Antonio Alves com a Joaquim da Silva Martha pra me dar uma bronca e acabou me beijando. Nada de se estranhar vindo do Anderson...

10 anos depois meu romantismo virou lenda, mas é divertido ( e importante) lembrar de tudo isso... Quanto tempo aguentando o Anderson, meu Deus!!!