domingo, julho 04, 2004

E assim começou o cinema...

... com fantasia, pura fantasia. A imagem do trem dos irmãoes Lumiére era real, mas despertou a mais pura magia na platéia que saiu alvoraçada da sala, temendo ser atingida pela máquina. Elas não entenderam a mimesis da cena e se assustaram. Assim criou-se a fantasia cinematográfica. George Mélies entendeu plenamente essa quase fusão entre cinema e fantasia e a maximizou, encantando o mundo. Quem nunca viu uma lua cheia daquelas bem gordas e a imaginou com olhos grandes e bigodinho?

Eu, definitavemente sou desse time, o da fantasia. Tenho entre meus filmes preferidos profundas críticas sociais dos mais variados níveis como "Rastros de Ódio" e "Sindicato de Ladrões". Mas os filmes que calam fundo na minha alma, em geral, são os de fantasia.

Porque um filme não precisa se levar a sério, ser sério e pedante para falar do profundo e complexo paradoxo que é o ser humano. Ele só precisa falar de pessoas. Por que não ter um pouco de magia no meio? Se estar vivo e sobrevivendo no mundo real já é uma magia?

Hoje, quando saí da sala do Frei Caneca depois de ter assistido "Homem-Aranha 2", comentei com o Anderson : "Como esses super-heróis são atormentados..". Ao que ele responde: "porque as pessoas são atormentadas demais". Bingo.

É isso. Tormento, dúvida, escolha. É isso que vejo em X-Men, Homem-Aranha e, claro, Senhor dos Anéis. Não precisa ser um filme nórdico horroroso com uma câmera tremida pra me passar essa idéia. "Spider-Man 2" é um filme soberbo. Ótimo roteiro, personagens fantásticos e bem desenvolvidos, ação na dose exata ], sem exageros. E com grandes questionamentos humanos, que me fazem pensar muito, me farão reflatir por dias..

O dilema de Peter Parker não é muito diferente do dilema de pessoas como nós, as pessoas desse blog e a maioria de seus leitores. Bem instruídos, bem alimentados, formadores de opinião e com um futuro pela frente, nesse país tão caótico socialmente, mas tão maravilhoso que é o Brasil, temos que parar e refletir, todos os dias, que "grandes poderes trazem grandes responsabilidades".

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