quarta-feira, julho 07, 2004

Vida louca vida, vida breve

Vi "Cazuza - O Tempo não pára" há 3 semanas. Não consegui escrever sobre o filme porque fiquei produndamente impactada, sem conseguir separar minha emoção dos meus critérios cinematográficos. SIm, porque eu os tenho, por mais que possa parecer que não.

Hoje, passado um tempo e depois de ter acabado de assistir a um documentário sobre o mesmo Cazuza no Multishow, cheguei a uma conclusão: pouco me importa se o filme é bom ou não (creio que seja bom, com momentos ótimos e algumas coisas imperdoáveis); o que me importa é que me fez lembrar o artista e suas letras tão impactantes.

Foi surreal ver os clipes toscos dele como "Ideologia", "Brasil" ou vê-lo a frente do Barão no Cassino do Chacrinha. Tudo isso faz mais ou menos 20 anos. Como foi importante, e como estava esquecido...

Não fui uma fã desnorteada de Cazuza, até porque seu auge foi na minha pré-adolescência e eu nem lembro do que gostava na época (não, não era do Menudo). Curtia o som dele e fiquei triste quando ele morreu. Mas hoje, 14 anos depois de sua morte, só tenho a agradecer ao filme por ter me feito lembrar que ele foi. Impressionante a qualidade das letras que ele deixou. E, principalmente, impressionante o testemunho de vida e a coragem.

Porque para nós pode parecer muito natural um famoso assumir que tem AIDS hoje, mas no Brasil da década de 80 isso foi um feito histórico, que abriu caminho para o país ser pioneiro nas políticas de combate ao vírus. Cazuza foi o mártir da década de 80. Eu, sinceramente, só tenho a agradecer, porque histórias como a dele me fazem ter certeza de que não estamos nesse mundo pra jogar a vida fora. E me fazem ter um pouco mais de bom-humor diário.

"Senhoras e senhores, trago boas novas
Eu vi a cara da morte e ela estava viva
Viva!"

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