segunda-feira, maio 24, 2004

De volta ao velho tema...



Eu não devo entender nada de Tarantino. Porque o filme que os fãs dizem que é o menor dele, curti mais do qualquer outro. Acho de uma presunção que merece o fuzilamento em praça pública abrir o filme com o slogan: "O quarto filme de Tarantino" . Não consigo imaginar Hitchcook fazendo o mesmo. Ou John Ford. Ou Frank Capra. O esquisitão-mor não tem noção mesmo, alimentado pela adoração dos modernos de plantão.

Também me irritou horrores o sangue espirrando pra todos os lados e aquela luta que não acabava mais. Não gosto de lutas, assim como o André. O que mais odeio em "O Retorno do Rei" é justamente a maldita uma hora de batalha nos Campos de Pellenor. Absolutamente insuportável.

Kill Bill é moderno, ágil. divertido, muito bem filmado. Só que é apenas embalagem. Uma puta embalagem, cenas incríveis, tudo. Mas não há qualquer conteúdo no filme. Não é isso que se critica em filmes como Senhor dos Anéis? "Oh, temos efeitos especiais incríveis, mas cadê o conteúdo?". Ou "o filme é maniqueísta demais, não precisava tanto". Kill Bill é a fina flor do maniqueísmo. Perdoamos a vilã interpretada por Lucy Liu por tudo que ela faz porque lembramos de seu passado triste (o fantástico desenho que narra a morte de seus pais.
Mamba Negra (Uma Thurman, um deslumbre de mulher) mata 88 indivíduos e não nos importamos, porque ela merece se vingar. Afinal, mataram todos no casamento dela e ela estava grávida. Maniqueísmo é algo que graceja em Hollywood, mesmo nos mais metidos a modernos. Culpem o Sid Fyeld, porque nem sequer Quentin Tarantino escapa totalmente desse cara.

E é um filme feito para ser consumido. O tênis da personagem principal já está vendendo horrores entre os fashionistas de NY e certamente será febre no quintal brasileiro. A trilha é ótima, e feita para ser fenômeno de vendagem como Pulp Fiction. Mulheres loiras de franjinha vão virar mania. Enfim, tudo é consumo na nossa era, não dá pra ser diferente no cinema de massa.

Deixo claro novamente que curti horrores o filme, apesar de achar o final a la Gloria Magadan, lamentável. Mas me sinto vingadinha quando vejo essas incoerências. Porque cinema é muito mais do que narrativa, muito mais do que roteiro, muito mais do que efeitos visuais. É tudo isso junto, bem azeitado, formando um todo agradável e, às vezes, genial, como em alguns momentos de Kill Bill. Na minha modesta opinião, o pretensioso do Tarantino acertou dessa vez.

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