domingo, abril 10, 2005

A arte não imita a vida. Nem nos filmes de "arte"

Pra vcs verem que não é só o cinemão hollywodiano que pisa na bola... Por causa desse filme - do qual gostei, mas achei nada mais do que mediano - o consumo de vinho Merlot caiu mais de 20% no mundo - eu adoro Merlot, particularmente falando.


VEJA SP/ DEGUSTAÇÃO

"Sideways? Não gostei"
Uma pequena conversa, entre alguns goles,
com Nicolás Catena, a estrela dos vinhos argentinos.

Por Carlos Maranhão

Ele é um homem discreto, mais ou menos tímido e aparentemente modesto. Com todo respeito, nem parece argentino. Neste final de março, Nicolás Catena – criador dos magníficos tintos e brancos que levam no rótulo o sobrenome de sua família – viu-se numa situação que para ele não é confortável: tornou-se o centro das atenções do mundo do vinho em São Paulo. Veio apresentar seus últimos lançamentos, numa degustação para jornalistas e donos de restaurante, participar de um jantar a 360 reais por cabeça (oitenta pessoas pagaram sem reclamar) e servir para uns poucos privilegiados goles de sua obra-prima: o vinho ao qual deu o próprio nome, uma combinação de cabernet sauvignon e malbec de pequena produção (15 000 garrafas por ano), com preço nas nuvens (159 dólares). O Nicolás Catena Zapata 2001 chega em quantidade tão limitada para cá (cerca de 200 garrafas) que o importador, Ciro Lilla, prefere nem anunciá-lo em seu catálogo. "Infelizmente, só posso vender uma garrafa por cliente", lamenta.

À frente de um clã que começou a produzir vinhos em Mendoza no início do século XX, Catena é um homem de 62 anos que fala baixinho. Tem, literalmente, um grande nariz. Ele o coloca por breves segundos na taça e faz rápidos comentários genéricos: ainda está um pouquinho tânico, pode ser guardado por muitos anos, tem bastante corpo... Enfim, coisas que sempre se fala em degustações, não importa o vinho que se esteja provando. Com a diferença de que se trata, sem dúvida, de um tinto sublime, à altura dos ícones de Bordeaux. No almoço, para quatro convidados, pede uma salada verde com queijo de cabra e um pernil de cordeiro – carne que se harmoniza bem com seus vinhos concentrados. Ágeis sommeliers do restaurante Parigi vão destampando as garrafas: um chardonnay, um malbec e um cabernet sauvignon, todos da safra 2002 da linha Catena Zapata. O chardonnay ganha elogios entusiasmados. "É o melhor chardonnay que já se fez na América do Sul", entusiasma-se o advogado e enófilo paranaense Guilherme Rodrigues, um dos presentes no almoço, os olhos transbordando de felicidade. Depois chega o esperado e raro Nicolás Catena, numa garrafa mais bojuda, por sinal fabricada da Itália.

Como quase todos os profissionais e amadores do universo do vinho, Nicolás Catena foi ver o filme Sideways – Entre Umas e Outras. Gostou? "Não", responde sem rodeios, já entretido com a sobremesa (meia porção de tarte tatin com sorvete de creme). Talvez por que o personagem principal seja apaixonado pela uva pinot noir, cujo consumo no mundo inteiro cresceu em função do sucesso da fita, e que por razões climáticas quase não é cultivada na Argentina? "Não é por isso", explica Catena. "Achei o personagem muito depressivo, muito artificial em seus julgamentos sobre vinho. E o roteiro tem várias falhas." Por exemplo? "O Miles (protagonista interpretado por Paul Giamatti) repete o tempo todo que detesta a uva merlot, tanto quanto gosta da pinot noir. E qual é o vinho de sua vida? O Chateau Cheval Blanc, safra 1961. Ora, o Cheval Blanc é feito com cabernet franc e... merlot."

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