segunda-feira, agosto 16, 2004

Road Movie no Rio

A viagem pro Rio no findi foi uma das baladas mais loucas que fiz na semana passada. Era aniversário da Paula, que ficou grande amiga nossa depois que trabalhou no escritório carioca da Imagem. Ela marcou um churrasco num condomínio na Barra. Iríamos ficar no apartamento dela. Fomos no carro da Carol, eu dirigindo, com a Pri e seu novo namorado, o Edval. Saímos do trabalho às 19:30h e fomos direto pra estrada, chegamos lá quase por volta de 1:h.

Na Linha Vermelha já começou a emoção. Duas viaturas Blazer da polícia nos ultrapassaram ao mesmo tempo, uma de cada lado. Mais a frente, pararam e fecharam a via. A gente passou na manha pela barreira, os caras nos encarando, com fuzis e metralhadoras na mão.
Até o fim da LV tinha mais três barreiras policiais. A primeira coisa que mais vimos ao chegar na cidade foi viatura de polícia.

A Paula estava esperando no bar Devassa, onde tomamos muito chope de fabricação da própria casa e pinga com mel, que chamavam de Vagaba.

Quase direto com a balada - que terminou às 4h - a gente emendou o churrasco, que começava às 13h, mas a Paula tinha que chegar antes, pra organizar tudo, mas mais antes ainda ela queria alisar o cabelo. Por isso acordamos às 9h da madrugada do sábado.

Liguei pro casal 20 carioca, pra nos encontrarmos no sábado de noite, na Lapa, mas não deu certo, porque o povo que tava comigo mudou os planos e fomos todos pra Lagoa Rodrigo de Freitas. Tava frio pra caramba e ficamos congelando lá, mas já tava todo mundo muito bêbado mesmo. Darlan e Lyara (o C20) fizeram melhor e ficaram quentinhos num bar em Copacabana.

A maior aventura foi a volta no domingo. A gente saiu do Rio às 16h, com eu dirigindo, mas o Ka da Carol tava caolho do farol dianteiro direito. Não tinha nenhum eletricista trabalhando nos postos de gasolina da Dutra no domingo. Paramos em uns cinco ou seis, em plena Baixada Fluminense, cada um mais com cara de cortiço do que o outro, por causa dos prédios velhos, que eram hotéis para caminhoneiros, restaurantes e borracharia. Alguns tinham dezenas de caminhões-baú estacionados - verdadeiros edifícios que completavam o cenário. Era preciso andar no meio deles para chegar até alguém e pedir informações. Parar o carro num lugar desses era mesmo falta de bom senso. No nosso caso era necessidade. Tudo em vão.

Por penúltimo, teve um auto-elétrico na beira da estrada, que tava fechado. Como já havia escurecido e estávamos a bordo de um Kaolho, decidimos parar para pedir ajuda. O primeiro susto foi por causa de um Monza com os vidros escuros, que saiu da estrada nos seguindo e parou atrás da gente. Andei mais um pouco pra frente, de olho no retrovisor. Se eles não passassem, eu ia sair dando uma arrancada. Foram embora. Aí desci do carro e fui bater no portão de chapa de ferro, todo fechado. Os outros acharam mais prudente esperar dentro do carro.

O rapaz que apareceu pela fresta, primeiro resmungou alguma coisa tipo “o eletricista é meu pai, ele não está”. Puxou o pescoço pra fora, olhou pro Ka e mudou de idéia. “Vou dar uma olhada”.

Ele voltou pra dentro, foi até uma bancada, como se estivesse procurando uma ferramenta. Fiquei observando pela fresta, pra ver o que ele ia pegar. Então a Pri, esticando o corpo do banco de trás, gritou e desviou minha atenção.

-E aí Gusha, ele vai resolver o problema?

Só aí eu vi a cara de preocupação da Carol, que estava sentada no banco do carona. Ela tinha sido a primeira a dizer que não ia descer do carro.

Me virei e dei de cara com rapaz, que já estava saindo pelo portão. Ele tinha na mão esquerda um alicate e uma chave de fenda, ufa. Não conseguiu resolver nosso problema, porque não tinha lâmpada pra Ka e disse que nunca tinha mexido num carro daqueles.

Aconteceu que só conseguimos consertar o farol num posto depois da Serra das Araras.

É isso gente. Os detalhes sórdidos eu conto pessoalmente.

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