segunda-feira, fevereiro 09, 2004

AS PORTAS DO INFERNO

Pois bem, desde a última quinta-feira sou um cidadão qualificado para a academia. Sabe-se lá o que significa na prática isto, mas para a "Casa dos Rituais Ultrapassados" e de velocidade mais que lenta isto é um mérito muito grande.
É mais ou menos como dizer "Agora você é um iniciado e faz parte da confraria".
Constatações óbvias à parte, foi interessante perceber e confirmar que a vaidade dos professores doutores não permite, na maioria da vezes, que a ciência caminhe.
Um dos membros me disse que há poucas pesquisas sobre cinema contemporâneo no Brasil. Claro ! A academia não consegue se livrar do culto a Glauber Rocha. O nome do cineasta foi citado e tomado como "sinônimo de cinema" durante boa parte da minha defesa, por parte dos professores.
Sei que estou tentando fazer o conhecimento caminhar sobre o assunto e é isto mesmo em momentos chatos como a qualificação - durou mais de 5 horas - que me dão forças e vontade de continuar a pesquisar.
O mais interessante, é que durante alguns trechos de meu relatório, insisti em chamar a academia de "cartesiana" e claro que os Drs. presentes disseram que não é assim. Mais toda a pompa e circunstância que eles usaram para se defender prova que o rótulo herdado de Descates ainda vale para a Universidade pública.
O problema é que a grande maioria dos acadêmicos conduz o processo do conhecimento como se ainda estivesse em Bologna, em 1088, quando a primeira universiadade foi criada. O mundo não comporta e nem aceita mais informações e conhecimento processados em velocidade tão lenta e de maneira tão burocrática, para não dizer chata.
No dia anterior, uma aluna da pós, que entrou comigo em 2002, defendeu a dissertação dela sobre Por que Rodin demorou 20 anos para concluir "As Portas do Inferno" ? Veja, em um país pobre como o Brasil, em que a pesquisa na área de Humanidades apenas engatinha, é razoável que alguém faça uma pesquisa assim ? Quantas teses há sobre o escultor e esta obra na França ?
Admiro Rodin mas creio que a arte nos países desenvolvidos só ganhou projeção porque o povo de lá soube dar o devido espaço á manifestações artísticas que brotaram em sua própria terra....
A Academia brasileira e seus órgãos de fomento precisam percerber isto e incentivar seus pesquisadores a trilharem por um caminho mais brasileiro. Caso contrário, cada vez mais o que sinto é que haverá mais motivos para o governo defender a privatização no setor.


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