domingo, março 07, 2004

De onde vem a calma...

Mantendo minha média de um a cada três meses, fui ver ontem mais um show do Los Hermanos (o último havia sido no reveillón, em copacabana).

Uma coisa que me impressiona na banda é o quanto eles vem aumentando o número de fãs seguindo uma carreira absolutamente coerente. Fizeram um primeiro disco pela Abril Music, que obrigou os caras a fazer uma "música de trabalho" para tocar no rádio. Eles fizeram Ana Júlia, uma pérola pop.

Mas fazer aquilo definitivamente não era a deles. A banda mudou o rumo completamente em "Bloco do Eu Sozinho", a gravadora odiou, ignorou o disco, mandou os caras pra rua e depois faliu. No disco seguinte, "Ventura", nenhum refrão! e o mesmo tom melancólico do anterior.

Lembro que conversei com uma amiga sobre Los Hermanos uma vez e ela desceu o cacete na banda. "Eles poderiam ter gravado um monte de músicas legais como Ana Júlia e iam ser uma das maiores bandas do país". Fiquei lá pensando se realmente vale a pena ter sucesso fazendo uma coisa que você não gosta... mas nem levei a discussão adiante. Odeio argumentar!

O Los Hermanos até poderia ter feito 10 Anas Júlias ou virado uma banda imbecil como os Charlie Browns da vida, mas fez seu caminho. Resultado: No Directv, em setembro, quando fui ao lançamento do disco, 1600 pessoas. Ontem, lotação esgotada (3000) e gente do lado de fora. E ao mesmo tempo, um negócio quase cult, tipo o público jogando confete e serpentina na banda em "Todo Carnaval tem Seu Fim".

Quem não conhece bem a banda e foi ver o show, deve ter odiado, como dois amigos que foram comigo. Mas Los Hermanos é pra se conhecer aos poucos. Você ouve uma vez e acha estranho, ouve duas, três, quatro, cinco, pega o jeito e quando vê, está viciado.

Minha favorita atual é "De onde vem a calma"

De onde vem a calma daquele cara? /
Ele não sabe ser melhor, viu? /
Como não entende de ser valente /
ele não sabe ser mais viril /
Ele não sabe não, viu? /
Às vezes dá como um frio /
É o mundo que anda hostil /
O mundo todo é hostil //

De onde vem o jeito tão sem defeito /
que esse rapaz consegue fingir? /
Olha esse sorriso tão indeciso /
Está se exibindo pra solidão /
Não vão embora daqui /
Eu sou o que vocês são /
Não solta da minha mão /
Não solta da minha mão //

Eu não vou mudar não /
Eu vou ficar são /
Mesmo se for só, /
não vou ceder /
Deus vai dar aval sim, /
o mal vai ter fim /
e no final assim calado /
eu sei que vou ser coroado rei de mim

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